O Paraguai que você não conhece

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Antes visto apenas como exportador de alimentos, eletrônicos falsificados e extremamente dependente de seus vizinhos maiores –Brasil e Argentina–, o Paraguai vem se destacando como um “case” de sucesso na região.

Em sua recente participação no Fórum de Davos, a primeira de um presidente paraguaio, o conservador Horacio Cartes (Partido Colorado) foi questionado sobre qual era o segredo do sucesso de seu país num momento em que a América Latina desacelera.

O país cresceu entre 3% e 4% nos últimos anos, enquanto as demais economias da região ficaram na média de 2%. Para não falar da recessão de Brasil e Argentina.

“Não há segredo, na última década tivemos um vento favorável [referindo-se ao boom das commodities], e o que fizemos depois foi cuidar de nossos gastos e investimentos”, afirmou em Davos.

Eleito em 2013, Cartes é um dos principais empresários do país. Atua no setor de tabaco, além de ser um dos fundadores do principal banco paraguaio, o Amambay.

Assim que assumiu, disse que faria uma administração empresarial. Além de ex-funcionários de suas empresas, chamou para o governo jovens da iniciativa privada e com formação no exterior.

Se por um lado a atitude irritou a ala mais tradicional do Partido Colorado, a fórmula de “governo sem políticos” tem dado resultados.

Os principais motivos do bom desempenho paraguaio são o investimento industrial, especialmente com as chamadas “maquilas”, e a abertura do setor de carnes para investidores estrangeiros.

“Queremos ser a China do Brasil”, disse à Folha Gustavo Leite, ministro da Indústria e do Comércio. Ele se refere aos US$ 70 bilhões de compras que o Brasil faz de manufaturas da Ásia e que, segundo ele, seriam mais vantajosas se saíssem do vizinho.

‘MAQUILAS’

O setor de “maquilas” é um dos que mais cresceram no ano passado, 10% ante 2015. Para atrair interessados, o país oferece desconto de impostos. “Das ‘maquilas’, 80% são brasileiras, 7%, argentinas, e o resto se divide entre europeias e americanas. Mas queremos chegar a mercados mais distantes”, diz Carina Daher, da câmara de maquiladoras.

Para o ministro da Fazenda, Santiago Peña, mesmo com a diversificação industrial, o Paraguai não pode abrir mão da agropecuária. “Alimentos sempre serão necessários e não podemos renegar nossa tradição. Os chineses não vão poder comer celulares”, disse à Folha.

Peña, 38, é um dos ministros mais jovens, estudou na Universidade Columbia (EUA) e passou pelo FMI. É cotado para suceder Cartes, caso ele não consiga aprovar a reeleição no país.

SYLVIA COLOMBO

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